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André Crespo é um artista paulistano que reflete em suas pinturas o orgulho e o prazer de viver em uma grande metrópole. Assim como retrata a cidade de São Paulo, o pintor reúne conhecimentos e culturas de outros países do mundo em experiências que transformam o conceito de “arte urbana”.Suas exposições fora do Brasil trouxeram-lhe reconhecimento internacional. André e suas obras já passaram por lugares como Ilhas Canárias, Virgínia, Nova Iorque, Londres, Lisboa e Paris. Nesta última, o artista já expôs quatro vezes, sendo duas delas no Museu do Louvre, uma no Grand Palais e outra no Festival Internacional de Cinema de Contis.Crespo mostra situações desordenadas, movimentadas e frenéticas da cidade em conflito com o registro pictórico. Conheça mais do artista na entrevista a seguir:

[Zupi] O que te atrai tanto nesse tema do caos urbano paulistano?
A incrível harmonia desordenada, o choque de informações, as linhas que se formam em todos os sentidos, as possibilidades, as pessoas e as luzes.
[Zupi] Que tipo de situação cotidiana chama sua atenção para construir suas narrativas?
Gosto de situações com movimento: vou até uma esquina agitada em um final de tarde para beber uma cerveja e ficar vendo o ir e vir frenético das pessoas nas cidades, entre tantos edifícios e carros.
Gosto também da calma, da beleza e do silêncio da natureza. A verdade é que eu gosto da vida e procuro vivê-la da melhor forma.
[Zupi] Como foi o seu primeiro contato com a arte?
Em casa, desde que nasci, haviam quadros pintados pela minha avó Yolanda. Meu pai tinha vários materiais de desenho, uma linda prancheta de arquitetura, canetas de nanquim, réguas, tira-linhas e essas coisas me fascinavam. As primeiras grandes inspirações, sem dúvida, foram essas.
Durante a infância, lembro-me de cabular aula com minhas irmãs para ir aos museus próximos de casa. Também costumava frequentar bibliotecas pra pesquisar desenhos e ter “lição de casa” pra fazer.
[Zupi] Para você, na temática urbana, quais os papeis do registro fotográfico e da pintura?
Tanto a fotografia quanto a pintura são registros que marcam o nosso tempo, nossa evolução – fazem história. Ao lado disso, elas nos fazem companhia no dia a dia, inspirando, questionando, preenchendo, emocionando e provocando, de alguma forma, a pessoa que observa.

[Zupi] Suas imagens refletem um tipo de saudosismo boêmio, remetendo a uma nostálgica época em que as pessoas viviam às ruas. Como você enxerga esta possível interpretação das suas obras?
E tudo isso em relação aos tempos de hoje, quando nos encontramos enfiados em cubículos, seja no escritório ou em casa?Uma pintura não é apenas uma imagem, ela reflete a alma do artista. O pintor nunca vai conseguir mentir pra tela e a tela vai guardar esse momento e levá-lo adiante. Se você é uma criatura que está enfiada no cubículo, escritório ou em casa, não faça isso, Vá para a rua e faça um amigo.
Vá ao museu, ao cinema, veja um show, tome um chope. As pessoas socializam e se encontram sim. E disso tiro partido para o meu trabalho.
[Zupi] É algum tipo de ironia o uso da pintura para retratar um tema como a cidade de São Paulo, que vive avançando tecnologicamente, disponibilizando novas mídias?
Se pensarmos bem, ironia é a pintura sobreviver depois de ascensões e quedas de grandes civilizações e impérios, depois de inúmeras guerras, invenção da fotografia, revolução industrial, informática. Há quem continue pintando, admirando e adquirindo. E isso é ótimo.

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